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terça-feira, janeiro 10

Resenha: O Adulto

Que calor é esse?

Oi Sociedade, desculpa, mas não tô sobrevivendo a esse calor.


Assim como em Garota Exemplar, O adulto mexe tanto com o seu psicológico que é difícil não bugar. 
Percebi com isso que Gillian Flying tem o que podemos chamar de "Fórmula" e não é por nada não, mas, eu odeio fórmulas. Uma das autoras que eu mais gostei de conhecer foi a Gaylo Forman. Não li (NEM LEREI) a duologia "Se eu ficar",  mas,  li a duologia apenas um dia e o livro O que há de estranho em mim e o que eu mais gostei foi da diferença deles. Assim como não leio John Green por causa da fórmula do adolescente fracassado, acho que não lerei Guilian Flying por causa da fórmula do "Ah, olha como ei sei escrever plot twist, sou muito boa mesmo", apesar de assistir toda e qualquer adaptação cinematográfico (ou televisiva) a aflição de já saber que você não sabe o que está acontecendo acaba comigo. 
Mas, vamos ao conto QUE É INCRÍVEL. 

Ano: 2016 - Páginas: 64 - Autor: Gillian Flynn Editora: Intrinseca Skoob

O adulto conta a história de uma punheteira em fim de carreira. Eu sei, também fiquei chocada, mas, essa é  a profissão da moça. Ela não faz sexo, apenas estimula os moços com suas mãozinhas em um galpão nos fundos de uma loja estérica, mas 23.546 punhetas depois, a tendinite veio com tudo e por isso depois de algum tempo ela começou a trabalhar como "sensitiva" na loja da frente do galpão.

Depois de atender um bom volume de clientes ela percebeu que não era difícil fingir ou mentir, era fácil na verdade, talvez por conta da sua carga emocional e toda experiência familiar que o conto nos apresenta logo no início. Para ela tudo funcionava em dois passos: descobrir o que queriam tratar e dizer o que queriam ouvir.

Até que uma cliente muda sua rotina, ganha sua afeição e a faz desenvolver um sentimento quase que fraterno. 
Então a protagonista se vê dentro de uma casa possivelmente mal assombrada, com uma mulher instável, um marido ausente e um enteado que a mulher acredita ser louco, mas devido a sua experiência a protagonista acredita ser apenas um adolescente passando pelos traumas clássicos que as mudanças trazem.

Algumas páginas depois a autora joga na sua cara duas possibilidades, dois caminhos e você é o criador do seu próprio mérito, (OPA, pera. Isso é  3 % é  que eu amei tanto essa série que até confundi),deixa eu voltar, a autora te dá essas duas possibilidades e você fica boquiaberto com ambas. Como o conto é narrado em primeiro pessoa, você sente a dinâmica de ser a personagem e isso te instiga ainda mais a ler. O final é maravilhoso, e sim, ele não é nenhuma das duas possibilidades anteriores e muitas pessoas podem até odiar, mas,  eu amei. Se você já leu,  deixa seu comentário aqui pra gente ♥ 

Beeeeijos.


segunda-feira, janeiro 2

Conversando sobre livros - Meu coração e outros buracos negros

Sociedade Maravilhosa,



Vamos falar de um dos livros mais importantes que você respeita, mas, não teve Hype e quase ninguém falou dele na booksfera: MEU ♥ E OUTROS BURACOS NEGROS.
Todo mundo pronto pra falar sério e se apaixonar? Primeiramente quero ficar de pé e aplaudir a autora por falar sobre depressão com tanta propriedade, ela não narra como alguém que já ouviu falar de depressão, ela narra como alguém que sabe exatamente o que é a depressão e por isso, vamos conversar hoje sobre um dos livros mais importantes já escritos.

Gente como eu amei esse livro, alguém me ajuda.
Ele foi a primeira leitura conjunta - Buddy read - da SSBA (Sociedade Secreta das Blogueiras Literárias - Clique AQUI para saber do que se trata e faça quatro blogueiras felizes) e acabou se tornando uma das melhores do ano pra mim. 

Ano: 2016 Páginas: 312 - AutorJasmine Warga Editora: Rocco J.L. -  Skoob


“Qualquer um que já esteve triste de verdade pode dizer que não há nada de bonito, literário ou misterioso na depressão. Depressão é como um peso de que não se pode escapar. Ele esmaga você (...)”. pág 16

Sinceramente, o que faria se tivesse vontade de suicidar e não quisesse morrer sozinho?
Nossa protagonista decidiu procurar um parceiro de suicídio na internet.
Eu honestamente espero – oro e peço a Deus – para que qualquer pessoa que venha a passar por essa situação, lembre-se dos CVVs – Centros de Valorização à Vida. Eles podem te ajudar de uma maneira que você nem imagina e você pode entrar em contato com eles no 141 de todo o Brasil, ou pode entrar em contato por email/chat no endereço www.cvv.org.br.

Aysel Seran é uma adolescente de 16 anos e vive Langston com a mãe o padrasto e os meio-irmãos. Aos 16 anos, ela decide que quer morrer e define que deveriam escrever em sua lapíde:

“Aysel Leyla Seran, a garota que nunca se encaixou.” Pág 25

Parece clichê né?
Mas pelo quote que deixei lá em cima vocês puderam perceber que Aysel é uma protagonista incrível. O inicio de seus problemas se deu há muitos anos atrás, quando ela era apenas um bebê e seus pais se separaram.
Apesar de seu pai nunca ter se recuperado da separação ele dedicou sua vida para a filha e a loja que tinha por anos e tudo corria relativamente bem, até o dia em que o ele foi preso por cometer um crime que chocou toda a cidade e adjacências com sua gravidade. Quando sua mãe se casou novamente e construiu sua família americana perfeita e feliz, Aysel era muito bem recebida sendo apenas uma visita, porém, assim que se mudou para lá, ela passou a se sentir uma intrusa.
Resumindo seu show de horrores, Aysel perdeu todos os amigos – repetindo, todos –, se mudou para a casa da mãe e nunca entendeu como ou porque o pai fizera o que fez.

É no meio de toda essa pressão que ela desenvolve a depressão, que define como a lesma preta que mora no meu estômago.

“Meu corpo é uma máquina eficiente de matar pensamentos felizes”. pág. 34
“Não sei quantos anos eu tinha quando percebi que a lesma dentro de mim, inevitavelmente comeria todo e qualquer pensamento positivo que eu tivesse”.  114 pág

Acompanhamos a caçada de Aysel a um parceiro de suicídio, até que ela encontra Roman, ou RobôCongelado, seu nick no site e eles decidem cometer suicídio juntos em um local sugerido por ele num dia pré-determinado: 7 de abril.
A data tinha a ver com a tragédia que transformou o jogador de basquete popular, em um RobôCongelado e por isso, para ele, era imprescindível que a data fosse essa.

No passar das páginas você identifica com as dores deles, sofre com eles, entende o que está acontecendo e para de julgar o fato deles terem decidido acabar com própria vida.

“(...) Estou desistindo, me rendendo. Fugindo do buraco negro que é o meu futuro, me impedindo de crescer e virar a pessoa que tenho pavor de me tornar”. Pág 12

Enquanto a tragédia de Roman o perturba porque ele é a única pessoa que poderia ter mudado o rumo dos fatos, a de Aysel o faz porque todos agem como se estivessem só esperando ela se tornar o pai, um passo em falso, um olhar diferente, uma briga... Todos estão esperando que ela surte e mostre “quem realmente é.”


Meu coração e outros buracos negros é acima de tudo uma história sobre confiança e empatia. Às vezes a gente precisa confiar nas pessoas que estão perto de nós, é quase doloroso ver como Georgia a meia-irmã de Aysel tenta se aproximar dela, sem sucesso e como a mãe se sente deslocada na vida da filha, talvez porque Aysel nunca tenha confiado o suficiente nas duas.

Já Roman, decidiu levar nas costas todo o peso de um acidente, fazendo com que sua família que já tinha passado por um trauma enorme, temesse algo ainda pior, temesse que algo acontecesse com ele. Existia a grande possibilidade de Roman ter evitado o acidente que o destruiu? Existia, mas, acidentes são acidentes e acidentes acontecem. Mas, quando o monstro da culpa engole a sua vida é difícil se desvencilhar dele.

O Livro começa no dia 12 de março e caminhamos junto com os nossos protagonistas por 26 dias de dor, autodescoberta, companheirismo, amizade e amor. Apesar de todos os pesares que são muitos, posso dizer que o livro traz uma história muito bonita, fechei o kindle e comprei uma edição física porque eu precisava olhar para ele e lembrar de cada segundo da jornada desses dois, que certamente não serão esquecidos com o passar dos anos.

“Será que é assim que a escuridão vence, convencendo-nosa prendê-la dentro de nós, em vez de jogá-la fora? Pág 183

Esse livro só não é um cinco estrelas pela quantidade de pontas soltas que tem (caso ele continue sendo um stand alone) e pelo “crime” do pai de Aysel. O livro torna isso enorme e quando você descobre o que ele, como ele fez e porque fez a sua primeira reação é: “Se fosse comigo tinha feito igual ou muito pior” depois você pensa e “Eita, que triste”, mas, não existe o menor motivo para toda a cidade colocar o que aconteceu nas costas dela. Achei broxante.

*Lí o livro em ebook, as páginas de referência podem estar diferentes do livro impresso 




sábado, dezembro 17

Cinco Minutos - Aione Simões



Oi oi oi Sociedade ♥

Aí você tá de boa no skoob procurando a opinião de pessoas que você confia sobre um livro que você detestou e coloca na pesquisa "Aione Simões" - sim eu achei que dava pra achar pessoas na pesquisa do skoob - e aparece uma obra de autoria da Aione, aquela Aione a do canal Minha Vida Literária.
Essa Diva é a Aione



Como assim esta molier escreveu um conto e não divulga? Acompanho o canal (quase) regularmente há mais de um ano e nunca a vi falando da obra. Mas, assim que achei, fui no twitter perguntá-la se "ela era ela" e ela me confirmou que era sim (risos). Antes de ler o conto, li a resenha da Bruna Costabeber uma das meninas da Sociedade Secreta das Blogueiras Anônimas (#SSBA - clica ali pra saber do que se trata e faça 4 blogueiras felizes) e depois das palavras da Brun, fui com a expectativa a mil.


                Ano: 2015 Páginas: 5 - AutorAione Simões Editora: Amazon - Skoob
Você pode (não só pode como deve) comprar o conto na Amazon AQUI tá menos de dois reais e a leitura vale muito a pena ♥

Ela era uma pianista dedicada e numa tarde fria de ensaios acabou perdendo o trem por causa de um atraso de cinco minutos. Algum tempo depois enquanto esperava o próximo trem, percebeu um rapaz sorrindo para ela, sua reação foi um sorriso educado e uma leve ignorada. Porém o rapaz estava muito certo do que queria. Depois de "um oi ou dois" e da aproximação inicial, o trem chegou e naquela viagem de uma hora uma amizade nasceu.

Achei gostoso e sincero como isso aconteceu, afinal, quem nunca contou a vida inteira para um estranho no transporte público, nunca andou em um.

Para a nossa surpresa, no fim da viagem é ela quem pede o telefone dele, que para nosso desespero nega e coloca tudo nas mãos do acaso: "haviam se conhecido por acaso e o acaso os uniria novamente".

Quanto tempo leva para uma vida mudar? Quanto tempo dura uma vida? (sinopse)

Quando o acaso os une novamente entendemos que cinco minutos podem ser apenas cinco minutos, mas em poucas vezes existe a possibilidade de cinco minutos traduzirem uma vida inteira.

Antes do Wattpad entrar na minha vida, eu não tinha o hábito de ler contos, mas, esse mês já tinha lido quatro (um no sweek e três publicados) e percebi que diferente do que muitos pensam, escrever um conto não é "mais fácil" do que escrever um livro, afinal, você precisa passar para os leitores todas as emoções e sensações de um livro em cinco páginas, ou quinze mil caracteres (na grande maioria das vezes).

Eu dou cinco estrelas para "Cinco munitos" pelas oportunidades que ele me deu. Eu pude viajar, sorris, sonhar, sentir e chorar. O amor de "Cinco minutos" é o amor que eu quero pra mim. Um amor simples, que acontece no meio de um dia comum, num lugar corriqueiro e no momento certo, não o momento mais propício ou o melhor momento, apenas o momento certo.



segunda-feira, julho 25

O ar que ele respira

Boa Noite Sociedade

Maravilhosa 


O que dizer dessa autora que acabei de conhecer e já considero pacas? Eu acabei de ler "O ar que ele respira" e se eu estivesse em casa ia deitar e chorar um pouquinho. Toda vez que leio um livro ele se torna parte de mim, e essa estória tem um peso emocional tão grande, que seja de tristeza ou alegria, merecem minhas lágrimas.
Ano: 2016 Páginas: 308 - Autora: Brittainy C. Cherry  Editora: Record- Skoob            


-Um ano atrás Elizabeth perdeu o marido em um trágico acidente.
-Um ano atrás Tristan perdeu a esposa e o filho em um trágico acidente.

Depois de perder o marido, Elizabeth foi morar com a filha Emma na casa de sua mãe, não tinha condições de continuar em sua casa com todas as lembranças de uma casamento nem sempre perfeito, mas, sempre feliz. Depois de um ano morando com a mãe, apesar de não se sentir totalmente pronta para voltar, Elizabeth decidiu eu já estava na hora. Estava quebrada demais, infeliz demais e morria de medo de ser um peso para Emma como sua mãe tinha se tornado para ela após a morte de seu pai. Depois de uma das (muitas) saídas da mãe, Elizabeth se levantou no meio da noite fez suas malas e pegou o carro indo em direção a sua casa, a casa que morava antes do fatídico acidente.


Mas, chegando a sua antiga cidade Meadows Creek um novo acidente acontece, dessa vez, ela atropela o cachorro de Tristan, Zeus.

Quando viu Zeus - a única memória viva da vida que ele um dia teve - atropelado, Tristan perdeu seu foco. Gritou e xingou Elizabeth de todas as formas depois deixou que Elizabeth os levasse de carro até uma veterinária. Na volta Elizabeth também deu carona ao cachorro e seu dono e com isso, perceberam que eram vizinhos, o que deixou Elizabeth constrangida, mas, Tristan não sentiu o constrangimento, ele não sentia nada, não queria sentir nada além da dor já havia muito tempo, fosse ela física ou psicológica. Tristan é um homem rude,  brusco,  que não sorri nunca, extremamente mal encarado e tinha definitivamente os olhos mais sombrios que já ouvimos falar. Ninguém em  Meadows Creek gosta de Tristan,  além de ele ser quem é,  trabalha em uma loja e magia e tarô,  o que não era bem visto pelas pessoas da cidade. 

Elizabeth sabia que existia o homem por trás do monstro, algo tinha deixado aquele homem daquele jeito e Elizabeth sabia que não sossegaria até descobrir o que tinha sido. A primeira coisa que todas as pessoas da cidade fizeram, foi pedir para que ela se afastasse dele, que não desse espaço ou tentasse fazer amizade, não que isso fosse um perigo por parte dele, já que ele não falava com ninguém, mas, Elizabeth precisava descobrir o que tinha acontecido e depois que descobriu que Tristan também tinha perdido a família em um acidente, ficou ainda mais curiosa por ter a amizade de Tristan, pois agora via motivos para o sofrimento e a amargura dele. Não só via como entendia.

O envolvimento dos dois acaba sendo cliché, mas sem deixar de ser chocante. Depois de um beijo intenso eles percebem que enquanto estão juntos, eles se lembram dos parceiros mortos e decidem “usar um ao outro” para manter as lembranças do passado vivas, chegando até a chamar um ao outro pelo nome dos falecidos (sério, eu me assustei e cogitei até parar a leitura, mas, ainda bem que continuei).  Eles continuam fazendo isso por um tempo, mas, como em toda relação “apenas carnal”, chega àquela hora que não é mais “apenas carnal”. E aí tudo fica lindo, e complicado, e maravilhoso, e desesperador, e horrível, e mágico. Não necessariamente nessa ordem.

A escrita da autora me deixou louca, com os dois protagonistas narrando você ficará exigente em querer saber mais, ir mais longe e melhor é que a autora sempre dá um jeitinho de te satisfazer.

Eu nunca falo de personagens secundários,  mas, nesse livro eles merecem um destaque:
-O primeiro vai para Emma,  a filha de Elizabeth é  a melhor criança do mundo.
-Faye vem logo em seguida como a melhor amiga desbocada e constrangedora mais legal da história.
-Tanner é  uma caixinha de surpresas,  da primeira até a última vez que ele tá lá no livro,
você não cansa de se surpreender com ele.
-E é  claro,  o Sr* Henson,  o dono da loja na qual Tristan trabalha.

Por último, mas não menos importante, os acidentes:


Eles estão presentes o tempo todo e você acaba criando mil teorias sobre ele, e dói. Você sofre quando descobre a verdade.  Mas, quando você achar que descobriu, vai ter um daqueles momentos “WHAT A TWSIT!?” de explodir o coração, ai minha sociedade, é como diz o ditado: “segura essa marimba”.


"O ar que ele respira" é um romance intenso e forte e certamente vai ficar uns tempos na sua cabeça, você pode não se apaixonar perdidamente por Tristan e Elizabeth e pode não chorar também, mas, se você me disser que não gostou desse livro, vou mandar você ler novamente porque você certamente leu errado.  Hahahaha.

Com seu misto de amor,  esperança,  afeto,  carinho,  calor,  um bom sexo bem feito sem aquelas estripulias humanamente impossíveis dos romances Hot, dependência, necessidade, tristeza, dor, amor, amor e amor,  “O ar que ele respira” se tornou um dos romances favoritos da minha vida.
Cinco estrelas para ele, em todos os sentidos: